Livrai-me dos minúsculos e suas minúcias ridículas.
Livra-me desta dor que me ofusca os sentidos; dai-me doses diárias de paz.
Livrai-me desta cobrança do que jamais serei. Desta eterna busca do que não sei.
Perdoai-me por este contrário que insisto em permanecer.
Perdoai-me se sou cruel aos teus olhos: sou humana.
Resgatai-me a extinta fé, resgatai-me a esperança infantil de quem um dia creu.
Livrai-me dos amores sofridos e das noites pálidas e caladas de remorso.
Dai-me coragem para enfrentar-me e enfrentar-te.
Perdoai-me se sou pecadora. Creio que o pecado está nos olhos dos minúsculos.
Perdoai-me se desejo mais. Sou inesgotável com meu querer.
Dai-me braços e abrigo.
Livrai-me dos exageros que me envenenam.
Resgatai-me o gosto pelo simples e imaterial.
Ajudai-me que já não tenho para onde fugir. Insistentemente colido comigo, e não entendo.