- Tudo é um saco. Não há como escapar. Sabe que alguns vagabundos de antigamente tatuavam no braço: "NASCIDO PARA MORRER". Por mais primitivo que pareça isso, é sabedoria fundamental.
- Que acha que os vagabundos tatuariam no braço hoje?
- Não sei. Na certa alguma coisa do tipo: "JESUS BARBEIA"
- Pra onde que a gente vai quando morre?
- Ah, merda. Não tô nem aí.
- Não acredita no Espírito Humano?
- Pura lorota, uma merda!
- Você é negativo pra caralho. Acredita em Deus?
- Não no seu tipo de deus.
- Que tipo?
- Não sei ao certo.
- Eu vou à igreja desde que me lembro. Que acha que é Deus?
- Cabelo branco, barba comprida e sem pau.
- Não podemos fugir de Deus, podemos?
- Talvez ELE não possa fugir de nós.
- Você bebe?
- Não só bebo como vivo sempre de porre.
- Por que você bebe tanto?
- Diabos, não sei. Acho que o principal é que simplesmente fico de saco cheio.
- Você fica sentado aí, com seu roupão rasgado, e passa metade do tempo bêbado, mas eu sei que é mais são do que qualquer um que eu conheço.
- Opa gosto disso. Você conhece muita gente?
- Não. - Você é um filho da puta, mas a gente pode falar com você. Os outros poetas estão sempre exibindo as plumagens e fazendo um número burro de babaca. Você não parece um escritor.
- Dou graças por isso.
entrevista cm Bukowski