quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Lembro de uma carta, longa e furiosa, que recebi um dia de um cara que me disse que eu não tinha o direito de dizer que não gostava de Shakespare. Muitos jovens iam acreditar em mim e não se dariam ao trabalho de ler Shakespare. Eu não tinha o direito de tomar essa posição. E assim por diante. Não respondi na época. Mas vou responder agora. Vá se foder, colega! E eu também não gosto de Tolstoi!

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- Você não consegue encarar as coisas sóbrio?
- Posso, mas prefiro não.
- Isso é escapismo.
- Tudo é: jogar golfe, dormir, comer, andar, brigar, fazer cooper, respirar, trepar...

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Sou um cara de classe, tenho classe pra dar e vender! Estou com 34 anos, mas se trabalhei 6 ou 7 meses ao todo, desde que completei 18, foi muito. E sem dinheiro nenhum. Olha só as minhas mãos! São de pianista!

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A sanidade mental é uma imperfeição. Qual o cara lúcido que não fica paranóico, doido, ou lelé da cuca? Uma vez que todo mundo é maluco, restam muito poucos pra ficar controlando a gente. Por isso é que nos deixam soltos por aí. Sozinhos, com a nossa maluquice. De momento é a única que podem fazer. Houve uma época em que pensei que fossem capazes de descobrir um lugar pra viver lá em cima no espaço enquanto destruíam a gente. Mas agora eu sei que os loucos também controlam o universo. Cheguei a essa conclusão depois que botaram a bandeira americana na lua.

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"Eu me permito apreciar isso, a manipular a coisa a meu favor porque eu tenho a febre da faca amolada, dos céus azuis e profundos."

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Quanto a escrever, hoje escrevo basicamente da mesma forma que fazia há 50 anos, talvez um pouco melhor, mas não muito. Por que tenho que chegar aos 51 anos para poder pagar o aluguel com meus livros? Quero dizer, se estou certo e escrevo igual, por que demorou tanto? Tive que esperar que o mundo me entendesse? E, se ele me entende, como estou agora? Mal é isso. Mas não acho que fiquei burro por acaso. Será que um cara burro se dá conta que é ?

Bukowski