Assuma a bagunça que eu sou sem tentar me arrumar, não serei sua, não serei séria, não estarei sóbria.
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Se desistir dos outros já é difícil, imagine desistir do mundo e de você, de você no mundo. Desistir de tudo que é pela metade. Sorrisos pela metade, cumprimentos pela metade, vidas pela metade... Se não é inteiro, não me interessa. Acontece que a gente não pode deixar pra trás tudo que não teve tempo de se formar: uma hora isso me deixa pela metade, e eu não quero ser deixada também.
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Plural de solidão é vazio existencial.
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As pessoas não me fazem bem, minha idealização delas me engana por um tempo, mas saio fatalmente mal das relações que eu invento.
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Sou inquilina de mim mesma e essa prisão é tudo.
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Eu não sei se eu devo ganhar essa batalha, não sei se tenho condições, se mereço assumir a direção. Talvez essas meninas medíocres aqui dentro sejam mais eu do que eu mesma. Dá pra entender onde eu quero chegar? Esse meu lado consciente, esse momento de sobriedade não é maioria em mim. Que poder tenho sobre os votos de uma população gigantesca de personalidades, todas unidas contra uma só - contra mim?
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Cansei de só ocupar espaço sem existir. Tento me fazer acreditar que meu natural agrada mais do que as personagens, mas na prática a história é outra. Ao invés de surpreender a plateia à cada novo espetáculo, repito as falas decoradas sem improvisar nem uma vírgula.
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Ser só é ótimo para as articulações dos dedos.
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Eu não sei citar motivos, mas alguma coisa me falta. Estou ao mesmo tempo feliz e deprimida, tenho companhia e nunca fui tão sozinha, tenho sucesso e nunca me senti tão fracassada.
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Eu invejo quem ignora os motivos da dor. A inocência é linda, o não saber é reconfortante. Eu sei o que eu sinto e sei o motivo de sentir. Sei finais escritos e imprevistos.
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Não sangra nem deixa marcas, mas escrever dói. Dói como a saudade do que não acontece, porque exterioriza sentimentos que eu escondo até de mim.
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As horas não passam... O tempo me odeio e testa meu limite porque sabe que é recíproco.
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Eu falo demais. Mais do que a verdade é capaz de acompanhar.
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Grite o mais alto que puder, mas não espere resposta. Essa é a regra do jogo dos realistas.
Verônica H.