Quando escureceu, nenhuma luz por onde andava acendeu. Onde você estava? Onde estávamos nós além de dois corpos distantes em pensamentos imperfeitos. Quando anoiteceu, por que não me socorreu? Por que não te iluminei? Em que momento tudo que acreditávamos se perdeu? Foi o fim de tudo? O fim do mundo? O fim de nós!
Quando anoiteceu, a luz de sua casa permaneceu apagada durante a madrugada interminável. Eu, perdido em meus devaneios mais indesejados, perguntava onde poderia estar. Além de mim. Além dos quarteirões que separam os quintais do mundo. Distante dos muros que separam dois universos. Além de tudo. Muito além dos jardins que enfeitavam nossos sonhos, nossos planos, nossas vidas.
Vou sair para ver o mar e me perder entre os labirintos que distanciam nossos passos. Vou te procurar entre as estrelas e os satélites distraídos, que confusos me ditaram caminhos errados e esparsos. Eu irei caminhar por trajetos errados em diferentes passos. Em destinos errantes nas mais estranhas pegadas na areia. E vou te encontrar em um planeta abandonado no curto espaço entre nós dois. Em nossos abraços, em seus sorrisos largos.
Eu espero te ver deslizando entre luas e nuvens no azul aveludado do cosmos, sem gravidade. Suspensa entre as teias que amarram os destinos, em linhas paralelas amarelas e imaginárias que controlam o universo em expansão. Verei o seu sorriso estampado iluminando novas nebulosas. Em inúmeras constelações, nossos passos guiariam outros passos no escuro.
Caio Fernando de Abreu