O homem, porque não tem senão uma vida, não tem nenhuma possibilidade de verificar a hipótese através de experimentos, de maneira que não saberá nunca se errou ou acertou ao obedecer a um sentimento.
Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado
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Pelo fato da vida ser, relativamente, tão curta e não comportar “reprises”, para emendarmos nossos erros, somos forçados a agir, na maior parte das vezes, por impulsos, em especial nos atos que tendem a determinar nosso futuro.
Somos como atores convocados a representar uma tragédia (ou comédia), sem ter feito um único ensaio, apenas com uma ligeira e apressada leitura do script.
Nunca saberemos, de fato, se a intuição que nos determinou seguir certo sentimento foi correta ou não. Não há tempo para essa verificação.
Por isso, precisamos cuidar das nossas emoções com carinho muito especial.
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Depois que o homem aprendeu a dar nome a todas as partes de seu corpo, esse corpo o inquieta menos.
Atualmente, cada um de nós sabe que a alma nada mais é que a atividade da matéria cinzenta do cérebro.
A dualidade da alma e do corpo estava dissimulada por termos científicos; hoje isso é um preconceito fora de moda que só nos faz rir.
Mas basta amar loucamente e ouvir o ruído dos intestinos para que a unidade da alma e do corpo, ilusão lírica da era científica, imediatamente se desfaça.
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pelo outro, no lugar do outro, multiplicada
pela imaginação, prolongada em centenas de ecos
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Procuramos sempre o peso das responsabilidades, quando o que na verdade almejamos é a leveza da liberdade
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Mesmo nossa própria dor não é tão
pesada como a dor co-sentida com outro
(A insustentável leveza do ser - Milan Kundera)