Minhas vísceras uivaram ao longe. Segurei a onda, olhando para o teto. Quem tem uma participação especial em minha vida somente por se deixar ser olhado. E teto é uma coisa que odeio olhar. (...) Já que não se encontra, em um teto, nada que valha a pena. Nem mesmo um lustre baccarat de 20 mil dólares salva um teto de sua opressora placidez, sequer o eleva além de sua única e torpe qualidade: rebater pensamentos merdas. (...) É, Helena conseguiu fazer de mim uma chata. Helena e seus tetos. Coberta por eles, e só por eles, virei um deles. E foi assim, me sentindo um gesso rebaixado, que acordei naquela manhã. Pondo-me a medir palavras para convencer uma Helena de que eu não era uma dessas lésbicas latentes que espera só uma oportunidade para sair enfiando sua língua por aí. Sábado, o dia amanhecendo, e eu numa conversa franca com um teto magoadíssimo.
F.Y